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Anthropic passou a OpenAI nas empresas, e o motor foi o código
Dados da Menlo Ventures e da Ramp mostram a Anthropic à frente da OpenAI no gasto das empresas com IA. A virada não veio do chat, veio do Claude Code.
Há dois anos, dizer que a OpenAI poderia perder a liderança corporativa para a Anthropic soaria como aposta contrária ao óbvio. O ChatGPT era sinônimo de IA. Em 2026, os números do mercado empresarial contam outra história, e ela tem um motor específico que interessa a quem coloca IA em produção: não foi o chatbot que virou o jogo, foi a ferramenta de código.
O que os dados mostram
A referência primária aqui é o relatório da Menlo Ventures sobre o estado da IA generativa na empresa. Segundo ele, a Anthropic passou a responder por cerca de 40% do gasto corporativo com modelos de linguagem, ante 24% um ano antes e apenas 12% em 2023. No mesmo intervalo, a OpenAI encolheu de 50% em 2023 para 27%. É uma inversão de liderança em dois anos, num mercado que muita gente considerava já decidido.
Um segundo dado, independente, aponta na mesma direção. A Ramp, que processa gastos de empresas, cruzou transações de cartão de cerca de 50 mil companhias americanas e viu a Anthropic superar a OpenAI em adoção corporativa pela primeira vez, com uma folga apertada. Quando dois métodos diferentes, uma pesquisa de gasto com fornecedores e um registro de transações reais, apontam para o mesmo lado, a leitura ganha peso. Não é ruído de uma amostra.
Vale a régua honesta: parte desses números é estimativa de mercado, e as duas fontes têm recortes distintos. Mas a direção é consistente e a ordem de grandeza também.
Importante separar os jogos. Esses dados falam do mercado corporativo, o gasto de empresas com modelos e a adoção em ambiente de trabalho. Nesse recorte, a liderança trocou de mãos. No mercado de consumidor a história é outra: a OpenAI segue à frente em receita total e em alcance de público, com o ChatGPT ainda dominante no bolso das pessoas. Quem compra IA para operar precisa olhar o recorte certo, e no recorte que decide contrato de empresa, foi a Anthropic que passou na frente.
Onde a virada foi ganha: no código
O detalhe que explica tudo está numa linha do relatório. A Menlo estima que a Anthropic detém cerca de 54% do gasto empresarial em ferramentas de programação, contra 21% da OpenAI, uma fatia que subiu de 42% em seis meses, puxada pela popularidade do Claude Code.
Isso não é coincidência, é distribuição. Ferramenta de código não é comprada pela diretoria, é adotada pelo desenvolvedor. Um engenheiro testa no terminal, resolve um problema real, mostra para o time, e o uso se espalha antes de qualquer contrato. Quando a compra central percebe, o hábito já está formado. A Anthropic entrou nas empresas pela base técnica, não pela apresentação de vendas, e código é hoje um dos usos que mais queima token em produção. Dominar essa frente arrasta o gasto corporativo total junto.
A liderança corporativa em IA não foi decidida por quem tinha o melhor slide. Foi decidida por qual ferramenta o desenvolvedor abriu no terminal na segunda de manhã.
A leitura para quem opera
Para líderes e times que colocam IA em produção, essa virada carrega três lições concretas, e nenhuma é sobre torcer por uma marca.
A primeira é que adoção de baixo para cima venceu a venda de cima para baixo. Isso ecoa a tese de que escrever código ficou barato e o valor migrou para a verificação: a ferramenta que cai na mão do engenheiro e resolve o trabalho do dia a dia é a que fica. Se a sua organização decide stack de IA só em comitê, sem ouvir quem usa, está otimizando o processo errado.
A segunda é que o fosso não está no modelo, está no entorno. A vantagem do Claude Code não é só o modelo por trás, é o harness, o encaixe no fluxo de trabalho: integração com o terminal, com o repositório, com o jeito que o time já trabalha. Quem escolhe fornecedor de IA olhando só para o número do benchmark ignora a metade que decide a adoção real.
A terceira é sobre concentração. Anthropic, OpenAI e Google somam cerca de 88% do uso empresarial de API de modelos. É um mercado que se decide por distribuição e por lock-in de fluxo, não por uma corrida infinita de pontos em teste. Para o comprador, isso é um alerta de dependência: a escolha de hoje molda o custo de troca de amanhã. Manter uma camada de abstração que permita trocar de modelo, como discutimos ao falar de alternativas abertas competitivas, é higiene, não paranoia.
A troca de liderança entre Anthropic e OpenAI no mundo corporativo não é fofoca de vale do silício. É a prova, em dados, de que o jogo da IA na empresa se ganha na ferramenta que o time usa todo dia, não na manchete. Quem escolhe olhando para onde o desenvolvedor já está trabalhando entende o mercado melhor que quem só compara benchmarks.
Se você quer escolher sua stack de IA olhando para adoção real do time, e não só para benchmark, fala com a gente no WhatsApp.
Fontes
Perguntas frequentes
A Anthropic virou maior que a OpenAI no geral?
Não no geral. Os dados de Menlo Ventures e Ramp se referem ao mercado corporativo: gasto de empresas com modelos de linguagem e adoção em negócios. Nesse recorte, a Anthropic passou à frente. A OpenAI mantém vantagem em receita total e, principalmente, em alcance de consumidor, onde o ChatGPT segue dominante. São dois jogos diferentes. O que mudou, e é o que importa para quem compra IA para operar, é que na conta das empresas a liderança trocou de mãos, algo impensável há dois anos.
Por que o Claude Code teve tanto peso nessa virada?
Porque ele entrou pela porta do desenvolvedor, não pela da diretoria. Ferramentas de código são adotadas de baixo para cima: um engenheiro testa, gosta, o time inteiro passa a usar, e só depois a compra vira oficial. O Claude Code virou hábito de trabalho de muitos times de engenharia, e a Menlo estima que a Anthropic ficou com cerca de 54% do gasto empresarial em programação. Como código é hoje um dos usos que mais consome tokens em produção, dominar essa frente puxa o gasto corporativo total junto. Distribuição pela base venceu a venda pelo topo.