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A IA revela quem realmente sabe construir software

Rafael Cáceres: a IA removeu a barreira técnica e expôs quem pensa e quem só copia prompt. Por que voltar a Event Storming e DDD antes de codar.

A tecnologia removeu a barreira técnica, mas não estamos vendo a criação de grandes produtos. Estamos vendo um apodrecimento mental na nossa indústria.

Desenvolvedores seniores com preguiça de pensar, confiando cegamente em prompts e evitando soluções de engenharia simples para abraçar arquiteturas bizarras sugeridas pela máquina.

A distância entre os engenheiros que realmente pensam em resolver problemas e aqueles que dependem da facilidade de um chat aumenta também na gestão de produto, onde o cenário não é muito melhor.

Spec Driven Development é o cascata dos anos 80 de volta

Spec Driven Development é só um novo nome para algo antigo. Entramos numa máquina do tempo direto para os anos 80 com a volta do modelo em cascata disfarçado de inovação. Prepare a receita do fracasso, escreva um PRD (Documento de Requisitos) gigante e morto, jogue num prompt de IA e então espere que o milagre aconteça.

A real que as LLMs bateram no teto. Modelos de linguagem que trabalham com médias estatísticas não vão parir revolução, pioneirismo ou qualquer transformação disruptiva. A IA tem um valor inestimável para testar possibilidades e dar velocidade, mas é preciso dar entendimento e direcionamento para a máquina.

O grande desafio é saber conduzir a IA, fazendo a gestão do contexto e estrutura para evitar soluções genéricas ou a degradação da performance.

Voltar às raízes: domínio antes de código

Tá na hora de voltar às raízes da engenharia de software e do design sistêmico, nos quais, ao invés de requisitos estáticos, ferramentas como Event Storming e Domain-Driven Design (DDD) ajudam a organizar a jornada, mapear o domínio e extrair um arquivo estruturado que serve de contexto para os agentes de IA.

Recentemente, usando o Event Storming para mapear o problema, descobrimos que o sistema sequer precisava ser construído. A IA teria codificado aquele sistema inútil em minutos, mas a conta do desperdício de negócio seria do cliente. Em outro caso, conseguimos refazer em apenas duas semanas um software que antes levou oito meses para ser criado, com resultado infinitamente superior e mais organizado.

A evolução do mercado são os agentes especializados de IA trabalhando em janelas de contexto com escopo muito bem definido. Se antes escalar serviço significava contratar um time completo de profissionais, agora podemos escalar a resolução de problemas complexos, combinando expertise humana de alto nível com IA bem orquestrada.

O futuro pertence aos profissionais que dominam engenharia de sistemas, ciência de dados, negócio e gestão de produtos.

Perguntas frequentes

Por que o Spec Driven Development é criticado na era da IA?

Porque é o modelo em cascata dos anos 80 disfarçado de inovação: escrever um PRD gigante e morto, jogar num prompt de IA e esperar o milagre acontecer. Sem entendimento do domínio, a máquina entrega uma solução genérica e desalinhada.

O que usar no lugar de requisitos estáticos para dar contexto à IA?

Ferramentas de design sistêmico como Event Storming e Domain-Driven Design (DDD). Elas ajudam a organizar a jornada, mapear o domínio e extrair um arquivo estruturado que serve de contexto para os agentes de IA, evitando soluções genéricas e desperdício.

A IA substitui o engenheiro que sabe construir software?

Não. Ela revela quem realmente pensa em resolver problemas. O futuro pertence a quem domina engenharia de sistemas, ciência de dados, negócio e gestão de produtos, combinando expertise humana de alto nível com IA bem orquestrada.

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